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A Escola ponto

Quinta-feira, 19.05.16

 

 

  

A Escola ponto é uma marca privada que se vestiu de amarelo e que se quer considerar parte integrante da rede escolar, embora as regras sejam completamente diversas da escola pública. As regras, a cultura de base e a população estudantil. O ponto quer precisamente ligar o que não é possível ligar.

Portanto, a Escola ponto é uma marca montada com habilidade para convencer a opinião pública de que presta um serviço público e que, assim sendo, deve continuar a ser financiada com o dinheiro do contribuinte.

 

Deve, portanto, perguntar-se ao contribuinte: Está disposto a continuar a sustentar os colégios com contrato de associação? Pegando num dos argumentos-chave da marca amarela Escola ponto, também o contribuinte deve ter liberdade de escolha.

Além disso, o contribuinte foi maltratado, desconsiderado e esmifrado pelos partidos políticos que apoiam a Escola ponto. Partidos políticos que cortaram na Escola Pública.

 

Outro argumento-chave da Escola ponto é a defesa do interesse das famílias. Então e o abandono dos apoios no Ensino Especial? E os preços exorbitantes dos manuais escolares que mudavam anualmente? Como é que isso ajudava as famílias? Afinal, de que famílias estamos a falar?

 

Estamos finalmente a ver um ministro da Educação com uma visão ampla, clara e estratégica da Escola Pública e da Educação. 

Parece que já está a ser pressionado, prensado e massacrado pelos lóbis da Escola ponto. Igreja, empresários da educação, PSD, CDS, isto para abreviar. Por isso, embora tenha o apoio dos partidos que suportam o governo, seria importante ter o apoio do contribuinte.

 

 

Post publicado no Vozes Dissonantes.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:20

A percepção da realidade de uma consciência abrangente

Quinta-feira, 09.05.13

 

Uma capacidade humana é a de aprender, abrir os horizontes, mudar a sua percepção da realidade, isto se estiver receptiva e curiosa em relação a tudo o que a rodeia, às pessoas concretas, às comunidades, à forma como se organizam.

Sempre me interessei pela análise da cultura de base de indivíduos e grupos, de empresas, de partidos políticos, de governos, das lideranças de grandes organizações (como a UE, por exemplo).

A minha análise está mais virada para a influência da cultura de base na intervenção política ou na intervenção financeira, pois tem um peso determinante na vida das pessoas.

 

Mantenho actuais algumas das minhas análises: a guerra do Iraque, por exemplo, que considerei uma invasão sem qualquer justificação possível. Participei em 2003 na manifestação em Lisboa. Antes dessa, só tinha participado na vigília por Timor. Depois dessa, só numa mini-manifestação (por falta de comparência de muitos) pela liberdade de expressão.

 

 

Análise da cultura de base do anterior governo PS:

 

Embora hoje já tenha mais elementos de comparação entre a gestão do anterior governo com a do actual, ainda mantenho o essencial da análise da cultura de base do anterior governo: cultura corporativa (grandes grupos económicos e financeiros, a banca, os grandes negócios). O seu estilo era, no entanto, modernaço: o deslumbramento pueril de um modernismo dispendioso, a desorçamentação, as PPPs, as fundações, os institutos, os estudos disto e daquilo, o TGV e o novo aeroporto, a ausência de supervisão bancária com o resultado desastroso.

Verificou-se a prioridade da imagem sobre a realidade concreta, a sociedade-espectáculo em powerpoint, o perfil do urbano moderno, rico e famoso como o exemplo de sucesso a seguir, a promoção de uma vida saudável e acéptica, as causas fracturantes, a aceleração do abandono do interior do país só lá colocando as hélices de uma energia verde para contribuinte pagar, o desprezo pela agricultura e pescas, pela terra como fonte de autonomia alimentar.

Verificou-se o aumento da diferença entre ricos e pobres, o aumento do desemprego e da emigração, números que nunca foram devidamente contabilizados. Foi também o início da desintegração social, a perseguição da ASAE aos feirantes e pequenos negócios de rua, preferindo ver essas pessoas a viver na dependência de subsídios, o polémico RSI. Quanto à grande evasão fiscal, pouco ou nada.

Em todo o caso, o estado social, ou seja, os serviços públicos prestados aos cidadãos foram preservados dentro de alguma qualidade e segurança. Digamos que havia um limite que nem o anterior governo, já com a corda ao pescoço, teve a lata de pisar: o limite das regras básicas de uma constituição democrática. Apesar dos tiques de um certo autoritatismo e a tendência para controlar a informação, procurava-se pelo menos a eficiência dos serviços públicos, não a sua destruição e alienação como vemos agora acontecer.

Se esse caminho também iria ser percorrido se o PEC 4 tivesse passado? Não sei. É certo que já se falava na desvalorização do trabalho, Manuel Pinho foi vender essa ideia à China, António Borges penso que já andava a fazer a sua acção de evangelização, mas teriam ido tão longe como este governo?

 

 

Cultura de base do CDS:

 

Aqui confesso que a minha análise da cultura de base do CDS, que pensava democrata cristã, estava completamente errada. Aqui não tenho atenuantes, pois os sinais estavam todos lá, a sua marca registada de cultura corporativa de estilo profundamente elitista, de sentimento de pertença às classes privilegiadas, tal como no Estado Novo. Há ali um saudosismo desse respeitinho quando falam de uma tradição caduca e ultrapassada.

Um dos sinais a que não dei o devido valor, mas já estava tudo lá, foi a sua perseguição ao RSI no período do anterior governo, quando se deu início à tal desintegração social através da perseguição da ASAE aos feirantes e pequenos negócios de rua de que falei lá atrás, que acabou por colocar essas pessoas a viver na dependência de subsídios. Foi nesse processo do RSI que eu vi a face mais mesquinha e moralista da cultura corporativa: primeiro os modernaços do PS retiram-lhes a sua forma natural de vida, de uma economia paralela de subsistência, para os colocar na subsidiodependência e, com isso, retirar-lhes a dignidade e autonomia (vítima uma vez), para depois serem culpabilizados por políticos moralistas do CDS como não querendo trabalhar e preferindo viver à custa do contribuinte (dupla vítima).

Podiam ter começado, pelo menos, por exigir com o mesmo entusiasmo a fiscalização da grande evasão fiscal, pois é essa que vale não sei quantos mil milhões.

Mas honra lhes seja feita, falaram na agricultura (que agora esqueceram) e na ausência de supervisão bancária.

 

Esta minha súbita lucidez tem um sabor amargo: o meu equívoco levou-me a apostar num Momento e a contribuir, embora à minha pequena escala, para a emergência de uma cultura que não se fica por não ter assimilado e interiorizado as regras da democracia, mas por ser mesmo anti-democrática.

Afinal Este é o Momento em que acreditei (valha-me Deus!), era o momento da compensação desejada, não no sentido de vingança propriamente dita, mas de uma certo ajuste de contas com a história. Ao lado de Durão Barroso e de Santana Lopes isso não foi visível porque havia Bagão Félix como mentor e símbolo moral da cultura verdadeiramente democrata-cristã. Mas agora não há Bagão Félix no governo e Passos Coelho está longe de ser um Durão Barroso e não tem a natureza empática e tolerante, próprias de uma cultura democrática, de Santana Lopes. Assim, os CDS, em roda-livre, revelaram a sua verdadeira natureza.

E ainda conseguiram ultrapassar um limite moral que nunca julguei possível: desprezar os mais fracos (reformados) colocando-os no joguete político para tentar salvar o seu peso eleitoral. Os reformados não precisam nem de paternalismo nem de caridadezinha, precisam de respeito, tal como qualquer cidadão. Mas isso eles não conseguem entender ou aceitar. Para isso, era preciso interiorizar a cultura democrática e estão muito longe de o conseguir.

 

 

Cultura de base do PSD:

 

Também aqui me enganei: embora não me tenha apanhado de surpresa na cultura corporativa de base, o PSD conseguiu ultrapassar todas as minhas expectativas. A sua cultura de base não é apenas corporativa semelhante à do anterior governo (grandes grupos económicos e financeiros, a banca, os grandes negócios). É que o anterior governo, apesar de bom aluno de Bruxelas, queria pelo menos andar para a frente, para um futuro cibernético, de uma economia virtual, de energia verde, da internet, da investigação, da educação de sucesso para todos, das novas oportunidades, puxar pelo país, de um país práfrentex, do simplex (algumas destas iniciativas até tinham algum mérito, nem que fosse só nas suas boas intenções).

 

Onde o PSD me surpreendeu é que, em vez de se virar para o futuro se tenha virado para o passado, para um tempo semelhante ao do Estado Novo, e de não ser apenas um bom aluno de Bruxelas, é um clone dos tecnocratas de Bruxelas, um robô-tecnocrata de Bruxelas. Na verdade, a troika nem precisava de se dar ao trabalho de cá vir, devem ter de se vir mostrar nos corredores do poder só para assustar os portugueses e convencê-los que eles são a troika. A troika já cá estava antes da troika descer do avião

Claro que também me conseguiu surpreender e apanhar de surpresa quando, em vez de cortar nos mais fortes, começou logo a cortar nos mais fracos e remediados. Assim como o facto de reduzir a sua intervenção ao ministério das finanças e a cortes disto e daquilo, parecia o Eduardo Mãos de Tesoura.

Não sabia que gerir um país era colar-se às exigências dos credores, ficar do lado dos credores, associar-se aos credores, contra os seus conterrêneos, chegando ao cúmulo de se identificarem culturalmente (nos preconceitos norte-sul da Europa) e moralmente (culpando as pessoas da má gestão política e financeira) com os nossos credores, para assustar e manter em suspense os seus conterrâneos.

O resultado é a liquidação dos serviços públicos (talvez um sonho antigo, estilo Margaret Thatcher), depois de terem destruído a economia nacional (micro, pequenas e médias empresas).

 

 

Gerir um país é isso? Cortar aqui e ali? 

Pensava que gerir um país era dar o exemplo, nisso até Salazar era melhor. 

Pensava que gerir um país, era contar a verdade às pessoas, a dimensão da dívida, a origem da dívida, a natureza da dívida. E isto por montantes exactos.

Depois, informar as pessoas sobre as exigências dos credores e explicar as suas razões.

A seguir, informar sobre o que iriam fazer para minimizar os danos na economia e na vida das pessoas e das famílias, como iriam tentar negociar na Europa melhores condições para o seu país e os seus conterrâneos.

 

 

 

Esta é a minha análise, ainda por verificar e validar, relativamente ao governo:

 

O que os cidadãos vêem como insucesso, este governo vê como sucesso: é o desemprego e a emigração que permitem a desvalorização do trabalho, pois o investimento privado que querem atrair baseia-se em mão de obra barata e trabalho precário.

Esse é o modelo de país que serve os grandes grupos económicos e financeiros que por cá passarão enquanto for rentável para depois irem sugar outros países e outros recursos.

 

Este é também o modelo de Europa que os tecnocratas desenharam, com diferenças norte-sul, países de 1ª e de 2ª. Para conseguirem o controle absoluto (onde cabe aqui a democracia e os cidadãos?) têm de conseguir o controle fiscal (!) e político (!!) dos países da eurozona.

 

 

 

E ainda falta a análise da cultura de base do PCP, do BE e dos Verdes:

 

Esta análise é a mais difícil, em parte porque ainda não fizeram parte de nenhuma equipa governativa, a não ser o PCP no verão quente e com Vasco Gonçalves.

Já tinha lido alguns livros na Primavera marcelista para saber que a organização colectivista, aplicada a uma comunidade e a uma cultura, nega a própria natureza humana: a diversidade desejável, a criatividade, a rebeldia, a vitalidade.

Posso é já adiantar, mas está por testar, que a expressão eleitoral estável do PCP se explica não apenas pela cultura corporativa do PSD, PS e CDS, mas também pela forma como gerem o poder, cada um ao seu estilo: tecnocrata autoritário europeísta do PSD; gestão pública danosa do PS; e o elitismo tradicional moralista do CDS.

 

Talvez também por estas razões o BE chegou a ter uma expressão eleitoral significativa e actualmente volta a estar a subir na simpatia dos potenciais eleitores.

Do BE recordo o papel importante de Miguel Portas, não apenas como eurodeputado, mas como homem do mundo, da nossa universalidade, qualidade tão portuguesa e talvez inigualável. Os seus documentários eram verdadeiras aulas de história das culturas.

Francisco Louçã está a revelar-se melhor comentador-professor-escritor do que deputado. E a entusiasmada Catarina Martins, agora mais calma, tem revelado empenho e entusiasmo nas suas intervenções. 

Quanto à sua cultura de base, consigo para já identificar a rebeldia, o seu protesto contra uma tendência corporativa mundial dominada pela finança.  Essa tendência hoje é visível. Só recentemente compreendi a razão dos seus protestos nas reuniões do G8 e do G20, que antecederam as transferências de capital da economia e dos contribuintes para os grandes bancos, que por sua vez antecederam as actuais reuniões e intervenções das troikas e dos tecnocratas de Bruxelas. Também só recentemente compreendi o movimento Occupy Wall Street. Enquanto esta perigosa concentração de poder das corporações e da finança se mantiver a nível europeu, reflectindo-se nos países do sul e do leste, o BE terá expressão eleitoral, independentemente da sua ideologia política estar ou não datada.

 

Os Verdes são os Verdes, iguais a si próprios desde que ouço Heloísa Apolónia nalgumas das suas intervenções. Certeira no diagnóstico, estilo provocador, actualmente mais conciliatória talvez por perceber que a nossa situação é mesmo de emergência.

 

 

Digamos que actualmente quem diagnostica melhor a realidade pode não estar ainda preparado para propor o melhor caminho, mas a percepção da realidade já é um passo.

A sociedade civil está muito mais atenta, também é nela que vemos a vitalidade e criatividade da mudança cultural para uma democracia de qualidade, uma sociedade inteligente, aberta, criativa, tolerante, inclusiva.

E os jovens são os que estão melhor posicionados para dinamizar os movimentos cívicos: por uma economia da colaboração, liberta de constrangimentos, nas áreas que nos permitem autonomia alimentar, industrial, energética, tecnológica, da investigação científica. E por uma sociedade em que todos tenham acesso à saúde de qualidade e à educação de qualidade. 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:28

"Este é o momento"

Terça-feira, 24.05.11

 

Nota prévia de esclarecimento: entretanto, passados 2 anos, actualizei a minha perspectiva sobre este momento e a cultura de base do CDS:

 

 

Este é o momento é o mote certo para a fase colectiva que vivemos, entalados entre dois precipícios, como nos desenhos animados. Não podemos voltar atrás, seria o suicídio, e o caminho para a frente é tão estreitinho e traiçoeiro que não nos podemos enganar na colocação dos pés. Qualquer pedregulho solto pode fazer-nos resvalar encosta abaixo... E há tantos pedregulhos soltos... 

 

" Portugal está numa situação excepcional. Uma política irresponsável levou a dívida pública de 82 mil ME para 170 mil ME apenas em seis anos. Os contribuintes já pagaram mais pela dívida do Estado do que investem com os seus impostos, na Educação. A irresponsabilidade prosseguiu nas empresas públicas (cuja dívida duplicou) e nas Parcerias Público-Privadas cujo o custo já ascende a 60 mil ME e compromete o futuro. Este Governo socialista levou Portugal à segunda recessão em dois anos. A herança económica e financeira de José Sócrates é muito negativa.

Mais de 650 mil famílias são afectadas pelo desemprego, enquanto inúmeras PME têm dificuldade em contratar. Em cada 100 jovens, 25 não têm trabalho. Muitos emigraram. Os trabalhadores independentes e os jovens empreendedores são atacados fiscalmente. A pobreza aumentou, a classe média empobreceu. Até o abono de família foi cortado. As instituições sociais recebem todos os dias mais pedidos de ajuda, de quem não consegue pagar refeições, ou os tratamentos de saúde, ou está numa situação vulnerável. O legado social de José Sócrates é de uma enorme injustiça.

Depois de um ano em que o PS, com o apoio do PSD, foi de PEC em PEC até ao colapso final – aumentando impostos, congelando pensões, penalizando as famílias, pondo em risco os serviços de saúde - tornou-se inevitável que Portugal pedisse ajuda externa, para poder sobreviver. O CDS teve uma atitude de responsabilidade, colocando o interesse nacional acima de tudo. Sem essa ajuda Portugal passaria pela vergonha de declarar falência. As poupanças, os salários, as reformas, os depósitos e os empréstimos dos portugueses corriam risco de ruína. Nesta situação, outros decidiram não falar com quem nos podia emprestar dinheiro para sobreviver. O CDS foi responsável: falou e defendeu, por exemplo, as pensões mínimas, rurais e sociais que poderão ser aumentadas. Deixámos claro que, na revisão do programa de austeridade, lutaremos por melhores soluções. Por exemplo, quanto a um IRS que leve em conta o número de filhos; um IRC que ajude as empresas que exportam, contratam e reinvestem; a taxa social única; e repensar medidas no IMI e IMT que são incoerentes. Há alternativas. "

A natureza que de certo modo condicionou a nossa cultura e nos tornou vulneráveis à cultura corporativa vigente inclina-nos perigosamente para um dos lados do precipício: é o fascínio por tudo o que brilha, por tudo o que nos é apresentado como fabuloso, fantástico, a terra prometida, todas as possibilidades e mais algumas de realizar todos os seus sonhos, tipo o vendedor do elixir da juventude que vemos nos filmes. É incrível como adultos responsáveis, com família, filhos, netos, se deixam ainda levar pela publicidade enganosa em vez de colocar os pés bem assentes no chão: no trabalho digno e sério, o maior valor que alguém pode ter nesta vida terrena, desenvolver e aperfeiçoar as suas competências, ser valorizado por isso e por isso poder realizar alguns dos seus sonhos legítimos e acessíveis. É também esse o caminho da autonomia, outro valor essencial da dignidade humana, não depender da bondade de estranhos nem sentir-se um inútil, dependente de subsídios numa vida decadente. A energia vital baseia-se na acção e na iniciativa própria, em tomar a sua vida nas suas próprias mãos, em decidir o que é importante para si e para a sua família. Toda a natureza apela à autonomia pessoal, isso é estar vivo. Alguma coisa de muito errado levou os cidadãos a deixar-se condicionar por uma cultura que promove a dependência, o conformismo e a servidão, tudo o que nega a própria vida e a dignidade de cada um. Este é o momento de corrigir essa perigosa inclinação e caminhar de novo em terra firme, com os pés bem assentes no chão.

 

" Os Portugueses conhecem a coerência, o trabalho e a equipa do CDS. Temos os deputados mais trabalhadores do Parlamento. Avisámos a tempo para o descalabro. Não dependemos do Estado, como PS e PSD dependem. Lutamos pelo bem comum e não defendemos os caciques, como PS e PSD defendem. Queremos grupos económicos mas não aceitamos, como PS e PSD aceitam, a protecção de certas empresas por uma Autoridade de Concorrência incompetente. Nunca abandonámos, como PS e PSD abandonaram, a questão social: os idosos e a sua pobreza são a nossa prioridade, as famílias no desemprego a nossa preocupação. Somos o Partido em quem confiam os agricultores: queremos Portugal a produzir, exportar e substituir importações. Somos o Partido que defendeu políticas de bom senso: quem comete crimes tem de pagar por eles e as Forças de Segurança têm de ser eficientes e ter autoridade: contam connosco. Protegemos a autoridade do professor na escola e a exigência e o mérito como regra para preparar os estudantes para o mundo laboral. Temos soluções para o desemprego dos jovens, o arrendamento de casa pelos jovens, a liberdade de programar as suas poupanças para os jovens que entram no mercado do trabalho. Sabemos que é possível um sistema de saúde com menos desperdício e mais humanidade. "

Esta é a minha escolha eleitoral, como já a delineei aqui há uns tempos. Voto CDS-PP. Nunca me inscrevi em partido algum, até hoje. Sempre procurei decidir de forma autónoma, em todas as minhas escolhas. Muitas vezes me enganei, mas a razão foi invariavelmente não ter acesso à informação que conta. Hoje só me baseio em factos concretos, em resultados concretos. A posição do independente, como sempre me quis posicionar na vida e na política, pode parecer confortável e comodista, e de certo modo é: não ter de viver o conflito com o grupo, dizer o que se pensa de algumas decisões com que não concordamos, não ter de debater, argumentar, sofrer decepções várias que as há sempre. Embora também não se possa viver a alegria do dever cumprido e a alegria partilhada no grupo que é alegria redobrada. Nem saborear as vantagens de um estatuto para quem gosta da vida política. No meu caso, a motivação seria a possibilidade de contribuir com ideias para acções concretas. Sim, se vier a tomar essa inciativa inédita no meu percurso será essa a motivação. É que este é o momento de não nos fecharmos no nosso cantinho sossegado e tranquilo e participar na vida colectiva, na reconstrução de uma casa em ruínas, na recuperação do jardim abandonado, na regeneração da vida comum, na restauração da nossa cultura própria, dos valores que nos estruturaram até hoje: o trabalho individual e comunitário, o respeito por si próprio e o respeito mútuo, a amabilidade e a universalidade. 

 

" Nesta situação excepcional, pedimos aos Portugueses que façam um voto excepcional. Não liguem aos emblemas nem às siglas. Avaliem o trabalho, o esforço, a coerência, a visão, as soluções, as equipas e os líderes. Comparem. Portugal não mudará se não castigarem quem merece castigo – o PS – ou se premiarem quem não merece um prémio – o PSD.

Há muitos eleitores desiludidos com o PS e receosos com o PSD. Esses eleitores sabem que o CDS, nesta eleição excepcional, é a diferença, é a responsabilidade, é o melhor para o interesse nacional. Não vos peço que adiram a tudo o que o CDS pensa, nem o CDS vos imporá isso. Peço-vos que ajudem Portugal a pagar o que deve, sanear as finanças, colocar a economia a crescer, evitar a exclusão social e, finalmente, pôr ordem na justiça que chegou a um descalabro! Escolham o CDS. Nós cumpriremos. 

Este é o momento. Por ti. Por todos. Portugal. "

Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: Tantos posts para clarificar... Como é possível que eu tenha confiado no CDS durante tanto tempo?, que não tenha percebido a sua cultura de base que não é nem democrata nem cristã?

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:36

"Liderança para Portugal"

Sábado, 19.03.11

 

Nota prévia de esclarecimento: entretanto, passados 2 anos, actualizei a minha perspectiva sobre o CDS e a sua cultura de base:

 

 

O mote está dado, no Congresso do CDS em Viseu: "Liderança para Portugal". Paulo Portas afirma-se hoje como uma liderança baseada na coerência e na consistência. Conseguiu construir um "novo CDS", uma equipa dinâmica, sólida e competente. Sem esquecer os valores que o estruturam: o valor do trabalho, do mérito, do bem comum, da protecção dos mais frágeis, da família, da coesão social. Promovendo uma organização social que valorize a educação de qualidade, a mobilidade social, o equilíbrio fiscal, o crescimento económico, a concorrência leal dos mercados, a supervisão bancária, a justiça, a segurança. 

O CDS hoje pode apresentar-se aos eleitores como o partido que mais produziu no Parlamento, assim como o que mais viu propostas suas aceites. É também o partido que mais defendeu a agricultura e as pescas (sectores estruturantes), os pensionistas, as famílias, as pequenas e médias empresas. Foi também o que mais batalhou pela supervisão bancária, pela concorrência leal dos mercados, pela área da saúde, educação, justiça e segurança. 

Paulo Portas foi o primeiro político (e, pelos vistos, o único até hoje) a referir-se a uma "geração pós-partidária", que procura informação fidedigna, que pensa pela sua própria cabeça, que quer ter a possibilidade de escolha, que quer respostas concretas. 

Hoje ouvimo-lo num discurso inspirado e mobilizador, que tem ressonância porque se baseia num trabalho concreto, num caminho concreto, numa equipa que demonstrou o que vale. 

Hoje percebemos que há uma alternativa viável aos partidos do bloco central do sistema que se vão alternando no poder. Hoje percebemos que é necessário, urgente, sair desse carrocel e quanto antes. 

Sim, uma "liderança para Portugal". É exactamente isso que o país precisa. Uma liderança assente num compromisso e numa confiança mútua, numa nova postura política. Em que os cidadãos saibam o que os espera e o que se espera de cada um, cada um no seu lugar e no seu papel. Uma nova cultura de lealdade e responsabilidade.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:32

As vozes estruturantes: sociedade civil, Igreja e CDS. Só falta mesmo um Presidente

Sábado, 27.11.10

 

As vozes estruturantes são aquelas que promovem a coesão social, o sentimento de pertença a uma comunidade onde ninguém é excluído, e que estão atentas às necessidades dos mais desfavorecidos.

São as vozes estruturantes que têm garantido a paz social, evitando rupturas e fracturas. E que têm atenuado o maior desespero de todos: a fome.

Aqui não me refiro, evidentemente, às vozes teatrais, visitas programadas, palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente. Refiro-me a atitudes concretas, gestos, trabalho sistemático e diário, esforço, tempo, dedicação.

 

Portanto, só podemos aqui considerar como verdadeiramente estruturantes, as seguintes vozes:

 

- a sociedade civil: é aqui que a dinâmica da solidariedade se tem expandido mais, em inúmeras iniciativas (associações e organizações, grupos de voluntários, etc.), no apoio aos mais vulneráveis (sem-abrigo, pobres, novos-pobres, crianças, idosos, portadores de deficiência, etc.) nas mais variadas áreas (abrigo, refeições, agasalhos, saúde, companhia, etc.); não esquecer também iniciativas concretas de alguns municípios, tendo sido a mais recente e mediática a de Rui Rio, que irá manter as cantinas de algumas escolas abertas nas férias do Natal, com a possibilidade de vir a repetir a iniciativa nas seguintes (se isto não foi uma estalada sonora, daquelas dos filmes do John Wayne, no governo e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI, o que foi?);

 

- a Igreja: também tem tido um papel fundamental, em estreita colaboração com a sociedade civil. Além de alertar para a consciência cristã, tem garantido, através das Misericórdias, muito do apoio atrás referido. Intervenção activa indispensável para evitar as tais fracturas, rupturas e desespero das populações mais carenciadas. A resposta do governo socialista tem sido a dos tais cortes orçamentais, e não apenas nas Misericórdias mas nos estabelecimentos de ensino (a falta de visão deste governo socialista chega a ser histórica). Recentemente, vendo-se na iminência de ter de fechar algumas valências por falta de recursos, a Igreja tem apelado à solidariedade cristã e, concretamente, à partilha da própria mensalidade dos padres (outra estalada sonora à John Wayne no governo socialista e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI);

 

- o CDS: o único partido com assento parlamentar que tem apresentado sistematicamente medidas alternativas eficazes, que permitam crescimento económico e emprego (política fiscal, incentivos às pequenas e médias empresas), que defendam as áreas-chave da economia do país (agricultura, pescas, etc.), que protejam os mais desfavorecidos (actualização das pensões de reforma mais baixas, manter o abono de família, etc.), que permitam um equilíbrio social e a coesão social.

 

Porque não considerei o PSD? Será preciso apresentar aqui as razões? Estão todas à vista e ainda bem, sim, ainda bem, que o povinho teve a possibilidade de ver com os seus próprios olhinhos a verdadeira e inequívoca natureza do PSD que, por "patriotismo" aceitou os PECs e este OE 2011 miserabilistas e imorais, nem se preocupando com a redução drástica da despesa estatal. Finalmente, ficou visível a sua cultura corporativa. Bom proveito.

O BE? Que recentemente votou pelo TGV, o tal investimento público para reanimar a economia? E que promove greves gerais que só reforçam a cultura corporativa? Já repararam que o BE podia ser resumido nesta frase: "muita conversa, poucos resultados?"

O PCP: idem aspas aspas.

 

São, pois, estas as vozes estruturantes: a sociedade civil, a Igreja e o CDS.

 

Podem perguntar-me: e o Presidente? Não tem sido uma voz que promove a unidade, a estabilidade e a coesão social? Palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente, não iniciativas concretas e gestos inequívocos, reveladores de uma consciência social.

 

Aceite a desilusão de ter perdido um país para sempre - o "país antigo" dos valores comunitários e da cultura da amabilidade -, ainda assim posso sonhar com um país "regenerado" ou "restaurado".

Não adiro, pois, ao conformismo generalizado de que não há uma possibilidade, uma única, de ver um Presidente que seja uma voz estruturante.

 

Aqui defini o perfil ideal de Presidente da República e procurei perceber porque é que a direita ficou sem Presidente.

Reparem bem neste perfil, procurem melhorá-lo, pode faltar lá alguma qualidade que terei esquecido. Uma liderança que garanta estabilidade, mas que saiba antecipar e não apenas reagir, que tenha uma visão de país preparado para os desafios do séc. XXI.

Quem se aproxima mais deste perfil?

Reparem também num simples pormenor: a experiência presidencial do candidato não é a condição mais importante. Tendo o perfil adequado, aprenderá depressa. Além disso, tem os Conselheiros e todo um staff protocolar. Mais importante é o perfil adequado.

 

Aqui também analisei as diversas candidaturas:

~ o fenómeno irrepetível Alegre-2006, que foi um equívoco;

- a candidatura de Fernando Nobre, que nasceu também de um equívoco (um desafio de um ex-Presidente que não quis ver Alegre brilhar, como se isso se fosse repetir), mas que pode vir a tornar-se no novo fenómeno, nesta fase em que a pobreza se tornou visível e urgente;

- e uma recandidatura já anunciada, festejada e glorificada (com a aprovação do miserabilista OE 2011 e o adiamento da intervenção do FMI), antes mesmo das eleições presidenciais em finais de Janeiro. É esta a dimensão da soberba e do paternalismo da cultura corporativa.

 

Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: Quando releio este tipo de posts por mim escritos há anos, fico completamente arrepiada. Será possível que eu tenha pensado assim? Vozes estruturantes?

A Igreja já não é a do D. Eurico Dias Nogueira nem a do D. Manuel Martins dos anos 90. Graças a Deus há o Papa.

O CDS nunca foi democrata nem cristão.

E não votei no Presidente que a direita escolheu.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:16








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